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  • Writer's pictureNelson Ferreira

EGYPTIAN ART - A VERY SHORT INTRO

This is an article that I wrote in 2010, and it was published in Portugal:


The temple of Hathor and Nefertari, Abu Simbel, circa 1300 BCE.

At the same time that Mesopotamian civilizations were developing on the plains of Sumer (present-day Iraq), a civilization developed in Egypt that has gone down in history as one of the most stable ever. The Egyptian civilization reached such a degree of perfection that it lasted approximately 3000 years, from 3150 BC to 31 BC, without feeling the need to change significantly. A civilization that tried to be "eternal"... and perhaps "eternally" stable, had it not been for the Roman invasion, which ended up destroying it. To understand how unique this stability was, imagine how impossible it would have been for Portugal [or any other European nation] to maintain the same culture, language and values for 3,000 years, from the 12th century to the 21st century.

The search for eternity was the great obsession of Egyptian art. Egyptian writing (hieroglyphics) left a vivid testimony to the beliefs and customs of this intelligent and advanced people. Almost all the art produced was sacred, as ancient Egypt was probably the most religious civilization ever. The thousands of gods were worshiped in the most important manifestation of architecture, the countless temples, built of stone that was very resistant to erosion, scattered along the valley of the River Nile. The Nile is the longest river in the world at 6670km and flows into the Mediterranean. Seen on a map, its mouth looks like a triangle, 240km wide and 160km high, of very fertile and verdant land surrounded by desert. Without the Nile, there would be no Egypt, which is why this river was considered a beneficial deity, feeding its people with tides that fertilized the land for agriculture.

Egyptian society was markedly divided into castes, with the king ruling like a god, the very powerful priestly caste organizing the country and the rest of the people without possessions. The god-king (called the pharaoh) was responsible for blessing the people and obtaining the graces of the other gods. Almost all religious rituals were to obtain these divine blessings. But other beliefs, unique to Egypt, have made the Egyptian civilization arguably the most popular ancient culture in the West today. As the Egyptians believed that the soul would only survive if the body remained, mummification techniques were developed to preserve it after death, techniques that took 70 days to complete. Once the body had been mummified, it was placed in watertight, inviolable tombs, such as the pyramids, which were up to 153m high and made of gigantic blocks of stone. Many sculptures depicting slaves were also placed in the tombs - to serve the soul of the deceased in the afterlife. A sculpture representing the deceased was also placed, made of very hard stone (to last forever) - so that if the mummy was destroyed by grave robbers, the soul could still be reincarnated in this sculpture. The entire tomb was painted with paradisiacal scenes, which would become real through magical incantations, written in hieroglyphics, recorded on these paintings. Since the poor couldn't afford the expensive embalming processes, the construction of watertight tombs and the sculpted portraits that guaranteed the eternity of the soul, we can say that the ancient Egyptian religion was an elitist religion that only promised eternal life to the richest. The underprivileged classes only hoped for a long life, which would end with death and the destruction of the body and soul. They buried their loved ones in the desert, hoping that the body would dry out in the desert heat and live on forever. And they left a little food for the soul to eat if it survived in the afterlife.

To see a good collection of Egyptian art in Portugal, I suggest you visit the Calouste Gulbenkian Foundation Museum, in Lisbon.


Small gold coffins from the tomb of King Tutankhamun. Egyptian Museum in Cairo, Egypt. 14th century BCE.

Texto original: ARTE EGÍPCIA


Ao mesmo tempo que, nas planícies da Suméria (actual Iraque), se desenvolviam as civilizações Mesopotâmicas, no Egipto desenvolveu-se uma civilização, que ficou para a História como uma das mais estáveis de sempre. A civilização Egípcia atingiu tal grau de perfeição que durou aproximadamente 3000 anos, de 3150aC a 31aC, sem sentir a necessidade de mudar significativamente. Uma civilização que tentou ser "eterna"... e talvez "eternamente" estável, não fosse a invasão Romana, que acabou por destruí-la. Para entender até que ponto esta estabilidade é única, imagine a impossibilidade que Portugal, ou qualquer outro país europeu, teria em manter a mesma cultura, língua e valores por 3000 anos, desde o séc. XII até ao séc. XXI.


A procura da eternidade foi mesmo a grande obsessão da arte Egípcia. A escrita Egípcia (os hieróglifos) deixaram um testemunho vívido das crenças e costumes deste povo tão inteligente e avançado. Quase toda a arte produzida era sacra, visto o antigo Egipto ser, provavelmente, a civilização mais religiosa de sempre. Os milhares de deuses eram adorados na manifestação mais importante de arquitectura, os inúmeros templos, construídos em pedra muito resistente à erosão, espalhados ao longo do vale do rio Nilo. O Nilo é o rio mais comprido do mundo, com 6670km e desagua no Mediterrâneo. Visto no mapa, a sua foz parece-se com um triângulo, com 240km de largura e 160km de altura, de terra muito fértil e verdejante cercada por deserto. Sem o Nilo não existiria Egipto, daí este rio ter sido considerado uma divindade benéfica, que alimentava o seu povo, com marés que fertilizam a terra para a agricultura.


A sociedade Egípcia era marcadamente dividida em castas, com o rei a governar como um deus, a poderosíssima casta sacerdotal a organizar o país, e o resto do povo sem posses. Ao rei-deus (chamado faraó), competia abençoar o povo e obter as graças dos outros deuses. Quase todos os rituais religiosos eram para obter estas benesses divinas. Mas outras crenças, únicas do Egipto, tornaram a civilização Egípcia na cultura talvez mais popular do ocidente, hoje em dia. Como os Egípcios acreditavam que a alma apenas sobreviveria se o corpo se mantivesse, desenvolveram-se técnicas de mumificação para o preservar após a morte, técnicas essas que duravam 70 dias a ser concluídas. O corpo, depois de mumificado, era colocado em túmulos estanques e invioláveis, como as pirâmides, que chegavam a ter 153 m de altura e eram feitas em blocos de pedra gigantescos.


Muitas esculturas, representando escravos, eram também colocadas nos túmulos, para servirem a alma do defunto no além. Também se colocava uma escultura representando o defunto, feita com pedra duríssima (para durar eternamente) - assim, caso a múmia fosse destruída por ladrões de túmulos, a alma ainda poderia reencarnar nessa escultura. Todo o túmulo era pintado com cenas paradisíacas, que se tornariam reais através de encantamentos mágicos, escritos em hieróglifos, registados sobre essas pinturas.


Como os pobres não podiam pagar os caríssimos processos de embalsamamento, construção de túmulos estanques e de retratos esculpidos, que garantiam a eternidade da alma, podemos dizer que a antiga religião Egípcia era uma religião elitista, que só prometia a vida eterna aos mais ricos. As classes desfavorecidas apenas esperavam uma vida longa, que terminaria com a morte e a destruição do corpo. Enterravam os seus entes queridos no deserto, com a esperança de que o corpo secasse com o calor do deserto e se mantivesse eternamente. E deixavam um pouco de comida, para a alma se poder alimentar, caso sobrevivesse no além.


Para ver uma boa colecção de arte Egípcia em Portugal, sugiro que visite o Museu da Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

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